pág. 2340
DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS LOCAIS

COM O BUSINESS MODEL CANVAS:

DESAFIOS, CRÍTICAS E PROPOSTAS

ALTERNATIVAS

LOCAL BUSINESS DEVELOPMENT USING THE BUSINESS
MODEL CANVAS: CHALLENGES, CRITICISMS, AND
ALTERNATIVE PROPOSALS

Luiz Henrique Athanazio Coelho

Centro Universitário Augusto Motta

Patricia Maria Dusek

Centro Universitário Augusto Motta

André Luiz Bernardo Storino

Centro Universitário Augusto Motta

Kátia Eliane Santos Avelar

Centro Universitário Augusto Motta
pág. 2341
DOI:
https://doi.org/10.37811/cl_rcm.v10i4.25268
Desenvolvimento de negócios locais com o Business Model Canvas: desafios,

críticas e propostas alternativas

Luiz Henrique Athanazio Coelho
1
luizcoelho.pos@souunisuam.com.br

https://orcid.org/0009-0005-1651-0915

Mestrando em Desenvolvimento Local pelo
Centro Universitário Augusto Motta,
UNISUAM.

Patricia Maria Dusek

patricia.dusek@unisuam.edu.br

https://orcid.org/0000-0003-3911-6943

Pós doutora em Justiça Constitucional pela
Università di Pisa. Doutora em Direito pela
Universidade Gama Filho. Coordenadora e
Pesquisadora do Programa de Pós-graduação em
Desenvolvimento Local do Centro Universitário
Augusto Motta, UNISUAM, Rio de Janeiro, RJ.
Pesquisadora da Universidade Iguaçu (UNIG).

André Luiz Bernardo Storino

dresofia@gmail.com

https://orcid.org/0000-0003-4787-5069

Doutor em Educação pela Universidade Federal
do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO.
Cursando Estágio de Pós-Doutoramento no
Programa de Desenvolvimento Local, Centro
Universitário Augusto Motta, UNISUAM.
Integra o Núcleo de Estudos, Diferenças,
Educação, Gênero e Sexualidade
NuDES/UERJ.

Kátia Eliane Santos Avelar

katia.avelar@gmail.com

https://orcid.org/0000-0002-7883-9442

Doutora em Ciências pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ). Pesquisadora do
Programa de Pós-Graduação em
Desenvolvimento Local no Centro Universitário
Augusto Motta, UNISUAM, Rio de Janeiro, RJ.
Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação
em Desenvolvimento e Periferias da
Universidade Santa Úrsula (USU). Pesquisadora
da Universidade Iguaçu (UNIG). Pesquisadora
em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão
Inovadora do CNPq. Cientista do Nosso Estado
da FAPERJ.

1
Autor principal
Correspondencia:
luizcoelho.pos@souunisuam.com.br
pág. 2342
RESUMO

O Business Model Canvas (BMC) é uma ferramenta amplamente utilizada para estruturar e visualizar

modelos de negócios por meio de nove blocos inter
-relacionados. Entretanto, sua aplicação em negócios
locais apresenta limitações decorrentes das especificidad
es regionais, culturais e organizacionais. Este
artigo analisa os principais desafios enfrentados por empreendedores ao utilizar o BMC, destacando a

dificuldade de adaptação a contextos territoriais, a baixa flexibilidade para modelos de negócios

alternati
vos e a limitação em representar a dinâmica dos mercados locais. Também discute críticas
relacionadas à simplificação do planejamento estratégico, especialmente quanto à incorporação de

aspectos como sustentabilidade, responsabilidade social e desenvolvime
nto territorial.
Metodologicamente, realizou
-se uma revisão narrativa com procedimentos sistematizados de busca e
análise comparativa da literatura. Os resultados sintetizam as principais contribuições, limitações e

críticas ao BMC, além de identificar fer
ramentas alternativas, como o Canvas Social, o Flourishing
Business Canvas, o EcoCanvas e o Canvas
-TS. O estudo amplia a compreensão sobre a adequação
dessas ferramentas a negócios locais, empreendimentos sociais e organizações comunitárias. Como

contribui
ção gerencial, oferece subsídios para empreendedores, gestores, consultores e agentes de
desenvolvimento na seleção e adaptação de modelos de negócios mais compatíveis com as

características e objetivos de diferentes empreendimentos, favorecendo decisões m
ais contextualizadas
e eficazes.

Palavras
-chave: Business Model Canvas, Ferramentas de modelagem de negócios, Modelagem de
negócios locais, Críticas ao
Business Model Canvas.
Artículo recibido 20 mayo 2026

Aceptado para publicación: 20 junio 2026
pág. 2343
Local Business Development Using the Business Model Canvas: Challenges,

Criticisms, and Alternative Proposals

ABSTRACT

The Business Model Canvas (BMC) is a widely used tool for structuring and visualizing business models

through nine interrelated blocks. However, its application to local businesses has limitations stemming

from regional, cultural, and organizational specif
icities. This article analyzes the main challenges faced
by entrepreneurs when using the BMC, highlighting the difficulty of adapting it to local contexts, its

limited flexibility for alternative business models, and its inability to adequately represent t
he dynamics
of local markets. It also discusses criticisms related to the oversimplification of strategic planning,

particularly regarding the incorporation of aspects such as sustainability, social responsibility, and

regional development. Methodologicall
y, a narrative review was conducted using systematic procedures
for literature search and comparative analysis. The results summarize the main contributions,

limitations, and criticisms of the BMC, in addition to identifying alternative tools, such as the
Social
Canvas, the Flourishing Business Canvas, th
e EcoCanvas, and the Canvas-TS. The study broadens our
understanding of how well these tools are suited to local businesses, social enterprises, and community

organizations. As a managerial contribution, it provides guidance to entrepreneurs, managers,

consultants, and development agents
in selecting and adapting business models that are better aligned
with the characteristics and objectives of different ventures, thereby facilitating more context
-specific
a
nd effective decisions.
Keywords:
Business Model Canvas, Business modeling tools, Local business modeling, Criticisms of
the Business Model Canvas
.
pág. 2344
I
NTRODUÇÃO
Nos últimos anos, o
Business Model Canvas (BMC) emergiu como uma das ferramentas mais populares
e difundidas para a concepção e estruturação de modelos de negócios. Desenvolvido por Alexander

Osterwalder e Yves Pigneur
(2011), o BMC oferece uma estrutura visual simples e prática, composta
por nove blocos que abrangem aspectos cruciais de um negócio, como proposta de valor, segmentos de

clientes, canais de distribuição e estrutura de custos. Na prática, alguns empreendedores utilizam
o BMC
na fase inicial do negócio para estruturar e comunicar o modelo
de negócio proposto (Silva Filho et al.,
2018).

O
BMC é um manual prático e inspirador para qualquer um que busque aprimorar um modelo de
negócios ou de
senvolver um novo (Osterwalder & Pigneur, 2011). A praticidade e a clareza
proporcionadas pelo BMC têm sido amplamente elogiadas, especialmente no contexto de startups e

grandes corporações que buscam inovar e otimizar suas operações. O
BMC foi elaborado a partir de
estudos do Plano de Negócios, visando encontrar uma ferramenta visual que pudesse se adaptar a

diferentes contextos e auxiliar o empreendedor
(Osterwalder & Pigneur, 2011).
Contudo, quando se trata do desenvolvimento de negócios locais, a aplicação do
Business Model Canvas
revela desafios únicos e complexos. Negócios locais, muitas vezes caracterizados por recursos limitados,

forte inserção em contextos culturais específicos e uma relação próxima com a comunidade, enfrentam

dificuldades que podem não ser plenamente endereça
das pelo BMC em sua forma original. O
desenvolvimento local surge, assim, associado à prestação de serviços de proximidade, à diversificação

das atividades
econômicas, à valorização do patrimônio natural e sociocultural, à promoção da formação
e da aprendizagem, entre tantos outros exemplos (Monteiro, 2019).

A adaptação da ferramenta para refletir as nuances regionais e as particularidades de mercados locais se

apresenta como um obstáculo significativo para muitos empreendedores (Cardoso
et al., 2024). Um dos
principais desafios identificados é a necessidade de ajustar o BMC para capturar a dinâmica específica

de mercados locais (Garcia Freitas
et al., 2022). Os negócios locais frequentemente dependem de uma
compreensão aprofundada das preferências e comportamentos dos consumidores em uma determinada

região. O
BMC, embora abrangente, pode não fornecer a flexibilidade necessária para incorporar essas
pág. 2345
variações regionais eficazmente, o que pode levar a um planejamento estratégico insuficiente ou

impreciso (Lopes
et al., 2023).
Além disso, a simplicidade do
BMC, considerada uma de suas maiores vantagens, também é alvo de
críticas. A estrutura enxuta e visual da ferramenta pode simplificar excessivamente o processo de

planejamento (Pellin, 2022), deixando de abordar questões complexas como sustentabilidade ambien
tal,
responsabilidade social corporativa e impacto econômico local. Em negócios locais, onde essas questões

podem ser particularmente relevantes, a falta de uma abordagem mais holística pode comprometer a

viabilidade e a ac
eitação da empresa na comunidade.
Ademais, o uso do
BMC pode não se adequar bem a modelos de negócios menos tradicionais comuns
em muitos contextos locais (Lopes
et al., 2023). Negócios artesanais, cooperativas e outras formas de
organização econômica comunitária podem encontrar dificuldades em adaptar suas operações e

objetivos nos parâmetros do BMC (Monteiro, 2019). Isso pode levar à necessidade de modificações

signifi
cativas na ferramenta, ou até mesmo ao desenvolvimento de abordagens alternativas para o
planejamento estratégico.

Para explorar esses desafios e críticas de forma mais aprofundada, este artigo se baseia em uma revisão

de literatura de artigos sobre o tema. Através dessa análise, busca
-se oferecer uma compreensão
detalhada dos benefícios e limitações do uso do
Business Model Canvas no contexto de negócios locais,
propondo possíveis adaptações e melhorias que possam aumentar sua eficácia e relevância. Assim,

espera
-se contribuir para um debate mais informado e para o desenvolvimento de práticas mais
adequadas às realidad
es específicas dos negócios locais.
METODOLOGIA

Este estudo c
aracterizou-se como uma revisão narrativa com procedimentos sistematizados de busca, e
a partir da análise comparativa, sintetizar as principais contribuições, limitações, críticas ao
Business
Model Canvas
e as ferramentas alternativas identificadas na literatura, como o Canvas Social, o
Flourishing Business Canvas
, o EcoCanvas e o Canvas-TS.
Nesse sentido,
o percurso metodológico visa integrar conhecimentos de várias fontes e procedimentos
variados com o objetivo de visualizar e examinar uma questão de pesquisa mais amplamente (Minayo,

2010). Valendo
-se de consultas às bases de dados na plataforma da Scielo e no Google Acadêmico,
pág. 2346
buscou
-se, assim, artigos, cujo escopo, discussões e problematizações tinham como assunto o Business
Model Canvas
. A consulta às fontes ocorreu no mês de junho do ano de 2024.
Na busca pelos artigos, utilizamos as seguintes palavras
-chave, inseridas entre aspas, e isoladamente:
Business Model Canvas e Críticas ao Business Model Canvas. Em seguida, combinamos:
“Business
Model Canvas”
AND “Negócios Locais”. O primeiro resultado apresentou um volume expressivo: 7550
trabalhos. Procedemos com alguns filtros necessários para filtrar ainda mais os trabalhos que

encontramos. Excluímos desses trabalhos os seguintes textos: as teses de doutora
do, as dissertações de
mestrado e as monografi
as. Também filtramos os artigos de revisão, as publicações duplicadas e textos
incompletos.

Após a filtragem, restaram 2.486 publicações. Filtramos, então, por ano. Escolhemos os trabalhos

publicados nos últimos cinco anos, que estão disponíveis na íntegra, possíveis de serem acessados em

PDF e escritos em língua portuguesa. Resultando em 40 publ
icações, das quais foram lidas e
selecionadas 11 para compor este trabalho, uma vez que discutiam mais detidamente modelos de

negócio e a utilização da ferramenta, para desenvolvimentos e planejamento.
Para este estudo foram
utilizados 11 artigos publicado
s entre o período de 2019 e 2024.
A maioria dos estudos identificados aborda o
Business Model Canvas (BMC) como uma ferramenta para
o desenvolvimento e planejamento de negócios. Os artigos selecionados estão organizados de acordo

com o autor, ano de publicação, título, objetivo, metodologia, resultados e conclusões, conforme

apresentado no Quadro 1.

Quadro 1
- Relação dos artigos selecionados para o estudo.
AUTORES

ANO

TÍTULO
OBJETIVO METODOLOGIA
Azevedo

Moraes &

Vera

(2024)

Modelo de negócios

em hospedagem e

implicações da

pandemia: Um estudo

de casos múltiplos no

setor de hospitalidade.

O objetivo do artigo é

investigar como a

pandemia de COVID
-19
impactou os modelos de

negócios no setor de

hospitalidade.

A metodologia empregada é um

estudo de casos múltiplos, que

envolve a análise detalhada de

várias empresas de hospedagem.
pág. 2347
Cardoso
et
al
. (2024)
Business Model

Canvas
e EcoCanvas:
uma análise

comparativa.

O objetivo do artigo é

realizar uma análise

comparativa entre duas

ferramentas de

modelagem de negócios:

o
Business Model Canvas
(BMC) e o EcoCanvas.

Empregando uma abordagem

qualitativa, a investigação se valeu

da análise de cinco estudos

identificados que estão dentro do

escopo desta discussão sobre os

modelos de negócio Canvas e

Ecocanvas, bem como os

conceitos da economia linear e

circular.

Lopes
et
al.
(2023).
Canvas
de modelo de
negócio e

empreendedores:

dilemas na prática

gerencial.

O objetivo do artigo é

investigar os dilemas

enfrentados por

empreendedores na

aplicação prática do

Business Model Canvas

(BMC) na gestão de seus

negócios.

Utilizou
-se análise qualitativa de
entrevistas com um grupo de

micro e pequenos empreendedores

para avaliar sua atitude em relação

a um dos mais conhecidos quadros

de modelos de negócios do

mercado, o
Business Model
Canvas
(BMC).
Mendes &

Cruz

(2023).

Análise de viabilidade

de trufas gourmet de

chocolate via quadro

de modelo de

negócios
Canvas.
O objetivo do artigo é

analisar a viabilidade de

um negócio de produção

e venda de trufas gourmet

de chocolate utilizando o

Business Model Canvas

(BMC).

Pesquisa bibliográfica e

documental.

Quaresma

&
Vera
(2023).

Dark Kitchens
: uma
análise sobre o

modelo de negócios a

partir do
Business
Model Canvas
.
Compreender como

funciona o modelo de

negócio das
Dark
Kitchens
no contexto da
cidade de

Salvador/Bahia.

A pesquisa seguiu abordagem

qualitativa de caráter exploratório

e realizou entrevistas

semiestruturadas com

empreendedores de Salvador que

possuem empresas enquadradas

nas premissas básicas de uma

Dark Kitchen
.
Santos &

De

Oliveira

(2023).

Análise dos modelos

de negócios de

healthtechs
com base
no
Business Model
Canvas
.
O objetivo deste trabalho

é anali
sar os modelos de
negócios de 5

importantes
Healthtechs
do Brasil apontadas pela

Distrito
Helthtech Report
2020: Vitta, Sanar, Labi

Exames, dr. consulta e

Vittude.

Através de pesquisa documental,

construiu
-se o pitch e o Business
Model Canvas
de cada Healthtech.
De Jesus
&
Gariane

(2021).

Diferentes

abordagens da

metodologia Canvas:

uma análise

comparativa para a

contribuição no

desenvolvimento de

negócios.

O objetivo do artigo é

comparar diferentes

abordagens da

metodologia Canvas,

incluindo o
Business
Model Canvas
(BMC) e
outras variações, para

avaliar como cada uma

contribui para o

Abordagem qualitativa, composta

por revisão bibliográfica e estudo

de caso da aplicação de duas

variações do método Canvas em

uma ideia de negócio de

treinamento de líderes.
pág. 2348
desenvolvimento e

sucesso de negócios.

Dos Santos

Moreira
&
Renault

(2021).

A Hélice Tríplice na

promoção
do
ecossistema de

empreendedorismo do

IFRJ
-Campus
Engenheiro Paulo de

Frontin.

Analisar aspectos que

envolvem o surgimento

do ambiente de

empreendedorismo

tecnológico em uma

localidade rural e sua

relação com as ações de

fomento ao

empreendedorismo

acadêmico promovidas

no IFRJ
Campus
Engenheiro Paulo de

Frontin.

Estudo de caso exploratório

qualitativo, com métodos

múltiplos de coleta de dados

analisados por meio da análise de

conteúdo.

Da Silva

Pereira e

Levinton

(2020).

Business Model

Canvas
no
desenvolvimento de

modelo de negócio

para

microempreendedoras

de vestuários

femininos.

O objetivo do artigo é

aplicar o
Business Model
Canvas
(BMC) no
desenvolvimento de um

modelo de negócio para

uma

microempreendedora no

setor de vestuários

femininos.

Abordagem qualitativa na

modalidade estudo de caso

definido mediante uma

microempresa de vestuários

femininos.

De

Almeida,

Miy
atake
&
Utida
(2020).

Ferramentas de apoio

à gestão e as

influências nos

negócios: plano de

negócio (PN) e

Business Model

Canvas
(BMC).
O objetivo do artigo é

comparar o uso do plano

de negócio (PN)

tradicional e o
Business
Model Canvas
(BMC)
como ferramentas de

apoio à gestão, avaliando

suas influências no

desenvolvimento e

sucesso de negócios.

Revisão de Literatura.

Lucion
et
al.
, (2020).
Business Model

Canvas
aplicado a
uma cooperativa de

faccionistas.

O objetivo do artigo é

analisar como o
Business
Model Canvas
(BMC)
pode ser aplicado para

desenvolver e melhorar o

modelo de negócio de

uma cooperativa de

faccionistas, focando em

aumentar sua eficiência

operacional e

competitividade no

mercado.

O
presente relato foi desenvolvido
por
meio de observação não
participante às
reuniões de um
grupo de faccionistas
de Cascavel
PR que pretendem abrir uma
cooperativa de facção.

Fonte: Elabora
do pelos autores.
pág. 2349
APONTAMENTOS DOS ARTIGOS ANALISADOS

Fundamental apontarmos os resultados e as conclusões que os trabalhos analisados trazem e sugerem, a

partir das experiências analisadas, e como o
Business Model Canvas (BMC) tem se feito presente como
ferramenta em diferentes perspectivas.

Os resultados do estudo de Azevedo Moraes e Vera (2024) revelam que as empresas de hospedagem

adotam diversas estratégias para sobreviver e se adaptar às novas condições impostas pela pandemia.

Nesse sentido, a conclusão do artigo aponta que a pandemia ace
lerou transformações significativas nos
modelos de negócios das empresas de hospedagem.

Já Cardoso et al. (2024), ao trazer uma análise minuciosa, possibilitaram a identificação de estratégias

viáveis para aprimorar o desempenho e avançar em direção a uma economia circular. Apresentando

como conclusão do artigo, sugere
-se que ambas as ferramentas têm seus méritos e podem ser escolhidas
com base nos objetivos específicos da empresa. Em Lopes et al. (2023), os resultados indicaram que

esses empreendedores tendiam a adotar o BMC e acreditavam que seu mercado era estático. Assim, sua

conclusão des
taca que, embora o Business Model Canvas seja uma ferramenta poderosa para o
desenvolvimento e planejamento de negócios, sua aplicação prática apresenta diversos desafios

gerenciais para os empreendedores.

Os resultados do estudo de Mendes e Cruz (2023) apresentam uma análise detalhada de cada

componente do
Business Model Canvas para o negócio de produção e venda de trufas gourmet.
Chegando à conclusão de que, com base na análise do
Business Model Canvas e na avaliação SWOT, o
negócio de trufas
gourmet de chocolate apresenta uma trajetória promissora. Enquanto Quaresma e Vera
(2023) apontam nos resultados do estudo uma série de
insights sobre o funcionamento das dark kitchens.
Concluindo e ao mesmo tempo suge
rindo que as dark kitchens representam um modelo de negócios
inovador e potencialmente lucrativo, especialmente em um mercado crescente de
delivery de alimentos.
Santos e De Oliveira (2023) mostram como todas as
healthtechs analisadas possuem um modelo de
negócios inovador para o setor de saúde. A conclusão do seu artigo indica que o uso do
Business Model
Canvas
é eficaz para mapear e analisar os modelos de negócios das healthtechs, proporcionando uma
visão clara dos componentes críticos para o suce
sso no setor. De Jesus e Gariani (2021) demonstram
como ambas as ferramentas têm limitações em sua visão do negócio. O
Business Model Canvas
pág. 2350
concentra
-se fortemente na estrutura do negócio, oferecendo uma perspectiva limitada sobre o cliente e
seus interesses. Já o
Model Brain Canvas foca quase exclusivamente no cliente, deixando de lado a
estrutura do negócio. A conclusão do artigo sugere não haver uma abordagem única do
Canvas que seja
superior em todos os contextos. A escolha da metodologia
Canvas depende dos objetivos e necessidades
específicas da empresa.

Resultados obtidos permitiram a categorização das ações de fomento ao empreendedorismo acadêmico

realizadas pelo Campus, capazes de promover um
ethos empreendedor que levou à criação de grupos
de desenvolvedores e startups no meio acadêmico estudado, segundo os estudos de Santos Moreira e

Renault (2021). O estudo possibilitou a descrição do ecossistema de empreendedorismo tecnológico que

emerge em cont
raste à localidade rural do Campus, apresentando pontos fortes e necessidades de
melhorias deste ecossistem
a.
Enquanto em Da Silva Pereira e Levinton (2020), tornam
-se evidentes as contribuições que a elaboração
de modelo de negócios utilizando
Canvas possibilitou às microempreendedoras de vestuários femininos.
Sugere
-se a possibilidade de que, em futuros trabalhos, esse estudo contribua no desenvolvimento de
novas mulheres empreendedoras em diferentes segmentos, utilizando a ferramenta proposta para

g
eração de novos negócios, contribuindo para a independência financeira da mulher e no
desenvolvimento do país.

De Almeida; Miy
atake e Utida (2020) apresentam em seus resultados do estudo realizado as vantagens
e desvantagens das duas ferramentas estudadas. Concluem, então, que o plano de negócio é ideal para

empresas que precisam de um documento detalhado para captação de recursos e planejamento a lo
ngo
prazo. O
Business Model Canvas é mais eficaz para startups e empresas em mercados dinâmicos, onde
a adaptabilidade e a inovação são cruciais. Cada ferramenta tem seus próprios méritos e limitações.

E, por último, Lucion et al. (2020) apontam como resultados que evidenciam a viabilidade da

cooperativa está condicionada ao sucesso das negociações junto aos clientes para o aumento dos valores

recebidos pelos serviços prestados. A conclusão do artigo ind
ica que a aplicação do Business Model
Canvas
proporcionou uma visão clara e estruturada do modelo de negócio da cooperativa de
faccionistas.
pág. 2351
MODELAGEM DE NEGÓCIOS ANTES DO
BUSINESS MODEL CANVAS
Antes da introdução do
Business Model Canvas, a modelagem de negócios era um processo que
geralmente envolvia a criação de planos de negócios extensos e detalhados (Ries, 2019). Esses planos

de negócios tradicionais seguiam uma estrutura formal, frequentemente requerendo dezenas de páginas

de descri
ção minuciosa sobre todos os aspectos do negócio. Historicamente, essa abordagem tem
apresentado poucas evidências empíricas sobre sua relevância (Lopes
et al., 2023).
Os planos de negócios tradicionais eram caracterizados por uma estrutura extensa, abrangendo desde o

sumário executivo até as projeções financeiras detalhadas. A modelagem de negócios tradicional era

amplamente baseada em uma abordagem analítica e exigia u
ma pesquisa extensa, incluindo análises
SWOT
(forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) e análises PEST (políticas, econômicas, sociais e
tecnológicas) (Aveni, 2019). As previsões financeiras detalhadas eram cruciais, com ênfase em

estimativas precisas d
e receitas, custos e lucros, muitas vezes projetadas para os próximos cinco anos.
Uma das principais críticas aos planos de negócios tradicionais era sua rigidez. O processo de criação

de um plano de negócios era demorado e, uma vez concluído, o documento tendia a ser estático (Aveni,

2019). Em um ambiente empresarial dinâmico, onde mud
anças rápidas podem ocorrer, essa falta de
flexibilidade representa um desafio significativo. Adaptações e revisões do plano exigiam um esforço

considerável, o que muitas vezes resultava em atrasos e na incapacidade de responder rapidamente às

mudanças do
mercado.
A natureza formal dos planos de negócios tradicionais exige um nível significativo de habilidade em

redação e análise, o que poderia ser um obstáculo para muitos empreendedores, especialmente aqueles

sem formação empresarial formal (Ries, 2019). Além disso
, a complexidade e o detalhamento excessivo
podiam tornar o processo intimidador e ineficiente para novos negócios que precisam validar suas ideias

rapidamente.

Os planos de negócios tradicionais também eram frequentemente desenvolvidos por uma única pessoa

ou um pequeno grupo na empresa, com pouca colaboração externa. Isso poderia resultar em uma falta

de perspectiva diversificada e um entendimento limitado das d
iferentes partes interessadas envolvidas
no negócio.
pág. 2352
Popularidade do
Business Model Canvas
O
Business Model Canvas (BMC) ganhou popularidade entre os empreendedores por várias razões, as
quais são diretamente ligadas às suas características inovadoras e às necessidades práticas do mundo

dos negócios modernos (Osterwalder & Pigneur, 2011). O
BMC é uma ferramenta visual de
gerenciamento estratégico e também uma metodologia que permite desenvolver, esboçar e identificar

modelos de negócios novos ou existentes (Santos & De Oliveira, 202
3). Esta ferramenta permite aos
empreendedores ver todos os compo
nentes críticos de seu modelo de negócios em uma única página.
Sua estrutura é intuitiva e fácil de entender, facilitando a comunicação das ideias e a colaboração entre

os membros da equipe (De Jesus & Gariani, 2021). Em contraste com os extensos e complex
os planos
de negócios tradicionais, o
BMC oferece uma maneira mais ágil e direta de estruturar e apresentar um
negócio (Osterwalder & Pigneur, 2011).

Empreendedores operam frequentemente em ambientes voláteis e dinâmicos, onde a capacidade de

adaptação rápida é crucial (Lopes
et al., 2023). O BMC permite ajustes e iterações rápidas sem a
necessidade de reformular um documento longo e detalhado. Isso torna a ferramenta ideal para
startups
e negócios em fases iniciais que precisam testar e validar suas hipóteses com agilidade.

O
BMC coloca a proposta de valor no centro da modelagem de negócios, destacando a importância de
entender e atender às necessidades dos clientes (Santos & De Oliveira, 202
3). Isso ajuda os
empreendedores a manterem o foco no que realmente importa para o sucesso de seu negócio: entregar

valor real aos clientes. A ênfase na proposta de valor facilita a identificação de oportunidades e a

diferenciação no mercado.

O formato visual e colaborativo do
BMC facilita o envolvimento de diferentes partes interessadas no
processo de planejamento (Mendes & Cruz, 2023). Membros da equipe, investidores, mentores e outros

stakeholders
podem facilmente contribuir e dar feedback sobre o modelo de negócios. Isso promove
uma abordagem mais inclusiva e diversa, enriquecendo o planejamento estratégico com diferentes

perspectivas e ideias.

O
BMC é dividido em nove blocos que cobrem aspectos fundamentais de um negócio: segmentos de
clientes, proposta de valor, canais, relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos principais,

atividades principais, parcerias principais e estrutura de cust
os (Osterwalder & Pigneur, 2011). Essa
pág. 2353
estrutura modular auxilia os empreendedores a abordarem cada componente de forma sistemática e

integrada, garantindo que nenhum aspecto importante seja negligenciado. Em um ambiente de negócios

que valoriza a inovação e a velocidade, o
BMC se alinha bem com metodologias ágeis e práticas enxutas.
Ele complementa abordagens como
Lean Startup, que enfatizam a criação rápida de protótipos, a
validação de mercado e a interação contínua (Ries, 2019).

A compatibilidade com essas metodologias modernas faz do
BMC uma ferramenta relevante e eficaz
para empreendedores que buscam lançar e escalar seus negócios eficientemente. O
BMC reduz a
complexidade associada ao planejamento de negócios. Ao condensar informações críticas em um

formato conciso e visual, ele torna o processo menos intimidador e mais acessível, especialmente para

empreendedores sem experiência prévia em negócios. Iss
o democratiza o acesso ao planejamento
estratégico, permitindo que mais pesso
as possam transformar suas ideias em negócios viáveis.
A popularidade do
Business Model Canvas entre os empreendedores pode ser atribuída à sua
simplicidade, flexibilidade, foco na proposta de valor, capacidade de promover colaboração, estrutura

modular, adequação às metodologias modernas e redução da complexidade do planejamento de

negócios. Essas
características tornam o BMC uma ferramenta poderosa para a criação e o
desenvolvimento de modelos de negócios eficazes e adaptáveis, respondendo às necessidades de um

ambiente empresarial cada vez mais dinâmico e co
mpetitivo.
Síntese dos desafios e críticas

As principais críticas ao
BMC residem na sua limitada capacidade de integrar aspectos sociais,
ambientais e políticos (Cardoso
et al., 2024), na sua natureza estática que não se adapta a mercados
dinâmicos e na sua abordagem superficial de alguns elementos. Essas lacunas evidenciam a necessidade

de ferramentas alternativas que incorporem uma visão mais holística e sustentável, que sejam
mais
adequadas às necessidades de negócios locais e em constante mudança.

As principais críticas e desafios relatados na pesquisa foram: i) Não incorporação explícita dos impactos

sociais e sustentáveis; ii) Inadequado para empresas que buscam alinhar seus modelos de negócios com

aspectos políticos, ambientais e sociais; iii) Fa
lta de integração das variáveis ambientais, sociais e
econômicas durante o processo de formulação do modelo; iv) Limitação por não capturar as nuances e

as constantes mudanças; v) Superficialidade na representação das receitas; vi) Limitações do
BMC para
pág. 2354
organizações da sociedade civil (OSCs) e empreendimentos solidários; vii) Não abrange a missão, os

impactos e a tecnologia social e viii) Dificuldade em explicar os modelos de negócio.

Nesse sentido, cabe aqui apresentarmos uma síntese das principais alternativas. Começando pelo
Canva
Social,
Flourishing Business Canvas, Ecocanvas e, por último, Tecnologia Social. O Canvas Social,
cuja
adaptação do Business Model Canvas (BMC) original, procurando torná-lo mais adequado ao
contexto de organizações da sociedade civil (OSCs) e empreendimentos sociais. Segundo Alessandro

Aveni: “O
canvas proposto se adapta a todos os empreendimentos com missão social” (2019, p.39).
Diversos modelos de
Canvas Social foram propostos, mas muitos ainda se baseiam fortemente na
estrutura do
BMC original, apenas alterando a nomenclatura de alguns elementos. Uma das dificuldades
observadas na aplicação do
Canvas Social é a representação dos impactos sociais e econômicos em um
único
canvas. A falta de elementos que descrevem a missão, o histórico, o propósito e o sistema de
tr
ocas internas e externas também, é apontada como limitação. Para Alessandro Aveni,
O resultado da análise mostra que o canvas utilizado atualmente não abrange todas as necessidades dos

grupos sociais e revela as possibilidades reais de planejar o negócio dos empreendimentos de acordo

com as reais necessidades desse grupo específico. [...
] O problema no uso do Canvas é que foram
desenvolvidos diversos modelos de Canvas inclusive para empreendimentos sociais e organizações da

sociedade civil e de ambientes colaborativos, mas há pouca pesquisa acadêmica sobre as práticas

realizadas envolvend
o outra economia com desenvolvimento de tecnologia social. (2018, p. 39-40).
Alguns modelos de
Canvas Social buscam suprir essas lacunas, como o modelo de onze quadros que
inclui a Missão e os Impactos como elementos centrais, além de adaptar outros blocos, como a mudança

de "Parceiros" para "Problemas a serem resolvidos". No entanto, ainda há desafios na
aplicação do
Canvas
Social para refletir a complexidade das OSCs e empreendimentos sociais, conforme se pode
verificar na Imagem 1.
pág. 2355
Imagem 1:
Canvas Social
F
onte:https://canvanizer.com/images/canvas-thumb/social-lean-canvas.svg
Já o
Flourishing Business Canvas (FBC) é uma ferramenta visual e colaborativa para a modelagem de
negócios sustentáveis. Inspirado no
BMC, o FBC se diferencia por sua abordagem mais abrangente,
incorporando os contextos econômicos, sociais e ambientais. Para Alecsandro Pellin,

A utilidade da ferramenta com base nas percepções dos participantes e observação direta sistemática do

pesquisador, ao passo que às startups constroem ou adequam seu atual modelo de negócio convencional

para um modelo sustentável, integrando os contextos e
conômicos, ambientais e sociais. Os resultados
da pesquisa mostraram que o Flourishing Business Canvas é um potencial ferramenta para a modelagem

de negócios sustentáveis por startups. Pode ser empregada para entender as práticas e ações de

sustentabilidad
e dessas empresas como um todo (2022, p.4).
A ferramenta visa auxiliar empresas, estudantes e
stakeholders na criação e implementação de modelos
de negócios que promovam o desenvolvimento sustentável. A ferramenta proposta resultou em uma

abordagem que instiga e aumenta a capacidade do empreendedor e/ou de uma organização a refletir e

aprender sobre sustentabi
lidade, transformando seus conhecimentos em ações práticas que vão ser
refletidas no modelo de negócios (Hope, 2018). Estes novos elementos que farão parte da composição

deste
canvas mantêm a facilidade de preenchimento e compreensão para empreendedores, empresários,
estudantes e
stakeholders.
O
FBC é estruturado em três camadas - meio ambiente, sociedade e economia - e quatro perspectivas -
processo, valor, pessoas e resultados. Essa estrutura busca integrar os princípios de sustentabilidade em

todos os aspectos do modelo de negócio. Diferentemente d
o BMC, o FBC não se limita a aspectos
pág. 2356
econômicos, mas busca integrar os contextos ambiental e social em todos os seus blocos de construção,

conforme se depreende da Imagem 2.

Imagem 2:
Flourishing Business Canvas
Fonte:
https://flourishingbusiness.org/flourishing-business-canvas/
O Ecocanvas é uma adaptação do
BMC que se propõe a auxiliar empresas e empreendedores na criação
de modelos de negócios circulares. “Ecocanvas obteve uma visão única e simplificada que possibilita

explorar um modelo de negó
cio mais inclusivo e holístico” (Daou, 2020, p. 24). A ferramenta busca
superar as lacunas da economia linear tradicional, incorporando elementos como impacto ambiental,

pegada ecológica e externalidades positivas e negativas. O Ecocanvas se diferencia do
BMC por incluir
três blocos adicionais que representam as forças mot
rizes da economia circular: econômica, jurídica,
ambiental e social. A ferramenta busca promover uma abordagem mais sustentável e inovadora para a

criação de valor, considerando os impactos do modelo de negócio em diferentes esferas.
pág. 2357
Imagem 3:
Ecocanvas
Fonte:
(López Gómez et al., 2023).
Enquanto a Tecnologia Social (TS) engloba um conjunto de técnicas e metodologias que visam

solucionar problemas sociais e promover a inclusão social. Segundo os autores, “ele possibilita avaliar

a viabilidade de um negócio, ou seja, auxilia na análise estr
uturada de uma ideia a fim de transformá-
la em uma oportunidade” (Freitas, Vencio & Freitas, 2022, p. 3).

A
TS se caracteriza por ser desenvolvida de forma participativa, envolvendo a comunidade na busca por
soluções para seus próprios problemas. A apropriação da tecnologia pela comunidade é um elemento

central da TS, buscando promover a emancipação e autonomia
dos indivíduos.
O
Canvas-TS é uma ferramenta de modelagem de projetos de TS, inspirada no BMC e no Canvas Social.
O modelo busca auxiliar na elaboração de projetos que promovam a transformação social, considerando

os princípios e parâmetros da TS. O
Canvas-TS se diferencia por dar ênfase à participação da
comunidade, à apropriação da tecnologia e à sustentabilidade do projeto.

Imagem 4:
Canvas TS
Fonte:
(Freitas, Vencio & Freitas, 2022).
pág. 2358
Dessa forma, a Tecnologia Social e ferramentas como o Canvas
-TS representam uma evolução na forma
de pensar e estruturar soluções, ao integrar viabilidade, impacto social e participação ativa da

comunidade em um mesmo modelo. Mais do que desenvolver projet
os, trata-se de construir caminhos
sustentáveis de transformação, nos quais os próprios beneficiários deixam de ser apenas receptores e

atuam como protagonistas do processo. Esse enfoque amplia as chances de sucesso das iniciativas, ao

alinhar soluções às
reais necessidades do território, promovendo não apenas inovação, mas também
autonomia, pertencimento e desenvolvimento social duradouro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise apresentada neste artigo evidencia que, embora o
Business Model Canvas (BMC) seja uma
ferramenta amplamente reconhecida e valorizada por sua simplicidade e capacidade de visualização

integrada de modelos de negócios, sua aplicação no contexto de negócios locais enfrenta desafios

significativos. A necessidade de adaptação da ferra
menta para refletir as nuances regionais, culturais e
as dinâmicas específicas dos mercados locais surge como uma barreira importante. Além disso, a

estrutura simplificada
do BMC pode ser inadequada para capturar questões complexas como
sustentabilidade e responsabilidade social, cruciais para muitos negócios locais.

Os modelos de negócios menos tradicionais, como empreendimentos artesanais e cooperativas,

frequentemente não se encaixam bem nos parâmetros do
BMC, exigindo modificações ou a busca por
ferramentas alternativas. Modelos como o
Canvas Social, o Flourishing Business Canvas e o Ecocanvas
foram propostos para superar essas limitações, incorporando elementos essenciais como impactos

sociais e ambientais, sustentabilidade e a missão dos negócios. No entanto, essas alternativas também

apresentam desafios próprios,
particularmente na representação completa e integrada de aspectos sociais
e econômicos em um único
canvas.
Portanto, a eficácia do
BMC e suas adaptações no contexto de negócios locais depende de um
entendimento profundo das especificidades regionais e de uma abordagem flexível e holística para a

modelagem de negócios. A evolução dessas ferramentas deve continuar, buscando integrar de mane
ira
mais eficiente e compreensiva os diversos aspectos que influenciam o sucesso e a sustentabilidade dos

negócios locais. Assim, espera
-se que futuras pesquisas e práticas desenvolvam metodologias que
pág. 2359
atendam de forma mais precisa às necessidades dos empreendedores locais, promovendo um

planejamento estratégico mais robusto e inclusivo.

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