Fragmentação Decisória e Cegueira Territorial Nas Políticas Públicas de Educação: Uma Análise a Partir da Integração Constitucional
Resumen
Este artigo investiga em que medida a Integração Constitucional permite identificar formas de cegueira territorial em decisões sobre políticas públicas educacionais. Adota-se abordagem qualitativa, documental, jurídico-institucional e comparativa, aplicada a cinco percursos decisórios relacionados ao PROUNI, ao PRONERA e às Escolas Famílias Agrícolas. A unidade de análise corresponde ao percurso argumentativo exteriorizado em cada decisão. A codificação utiliza seis dimensões da Integração Constitucional, considerando presença, densidade argumentativa, articulação entre fundamentos e consequências. A cegueira territorial é submetida a teste em duas etapas: demonstração da relevância territorial do fator e verificação de sua incorporação à racionalidade decisória. Os resultados revelam padrões distintos: a ADI 3.330 apresenta racionalidade comparativamente mais ampla; nos casos do PRONERA, a legalidade recebe maior densidade que a efetividade; e, nas EFAs, os paradigmas deslocam o centro argumentativo entre realidade institucional territorializada e classificação jurídico-formal. Propõe-se compreender a cegueira territorial como manifestação específica da fragmentação decisória, caracterizada pela ausência, pelo subdimensionamento ou pela desconexão de fatores territorialmente relevantes na construção do problema público. O estudo desloca a análise da territorialização das políticas para a territorialidade da racionalidade institucional que as interpreta e controla, oferecendo procedimento analítico reconstruível e auditável.
Descargas
Citas
Bacchi, C. L. (2009). Analysing policy: What’s the problem represented to be? Pearson.
Barca, F., McCann, P., & Rodríguez-Pose, A. (2012). The case for regional development intervention: Place-based versus place-neutral approaches. Journal of Regional Science, 52(1), 134–152.
Brasil. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Brasil. (2010). Decreto nº 7.352, de 4 de novembro de 2010: Dispõe sobre a política de educação do campo e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA.
Brasil. (2005). Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005: Institui o Programa Universidade para Todos – PROUNI.
Brasil. Superior Tribunal de Justiça. (2025, 23 de abril). Recurso Especial nº 1.950.982/PI.
Brasil. Supremo Tribunal Federal. (2012, 3 de maio). Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3.330/DF (Rel. Min. Ayres Britto, Tribunal Pleno).
Brasil. Tribunal Regional Federal da 1ª Região. (s.d.). Processo nº 2010.33.00.002306-4/BA.
Britto, C. A. (2012). O humanismo como categoria constitucional. Fórum.
Gomide, A. de Á., & Pires, R. R. C. (Orgs.). (2014). Capacidades estatais e democracia: Arranjos institucionais de políticas públicas. Ipea.
OECD. (2023). OECD regional outlook 2023: The longstanding geography of inequalities. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/92cd40a0-en
OECD. (2025). Place-based policies for the future. OECD Publishing.
Rodríguez-Pose, A. (2018). The revenge of the places that don’t matter (and what to do about it). Cambridge Journal of Regions, Economy and Society, 11(1), 189–209.
Santos, M. (1999). O dinheiro e o território. GEOgraphia, 1(1), 7–13.
Schneider, S. (2004). A abordagem territorial do desenvolvimento rural e suas articulações externas. Sociologias, (11), 88–125.
Schneider, S., & Tartaruga, I. G. P. (2005). Território e abordagem territorial: Das referências cognitivas aos aportes aplicados à análise dos processos sociais rurais. Raízes: Revista de Ciências Sociais e Econômicas, 23(1–2), 99–116. https://doi.org/10.37370/raizes.2004.v23.237
Souza, C. (2006). Políticas públicas: Uma revisão da literatura. Sociologias, (16), 20–45.
Wu, X., Ramesh, M., & Howlett, M. (2015). Policy capacity: A conceptual framework for understanding policy competences and capabilities. Policy and Society, 34(3–4), 165–171. https://doi.org/10.1016/j.polsoc.2015.09.001
Derechos de autor 2026 Alex Pires Andrade

Esta obra está bajo licencia internacional Creative Commons Reconocimiento 4.0.









.png)
















.png)
1.png)

