Território, Desigualdade Informacional e Liberdade Política: da ADI 4.451 Aos Desafios da Inteligência Artificial à Integridade do Voto
Resumen
Um voto pode ter o mesmo valor jurídico e, ainda assim, ser formado sob condições profundamente desiguais de informação. Partindo dessa tensão, o artigo investiga como desigualdades territoriais de acesso, mediação e uso da informação condicionam o exercício da liberdade política diante da inteligência artificial. Por meio de pesquisa jurídico-dogmática, documental e teórico-normativa, articula a abordagem das capacidades de Amartya Sen, a crítica democrática de Jeremy Waldron, a ADI 4.451 e dados brasileiros sobre conectividade e ecossistemas informacionais. Propõe a categoria capacidade informacional territorial para compreender como recursos, instituições, infraestruturas e mecanismos de mediação, distribuídos de forma desigual no território, ampliam ou restringem oportunidades efetivas de acesso, contraste, contextualização, produção e verificação de informação politicamente relevante. Conclui que a integridade eleitoral, diante da inteligência artificial, não deve ser protegida pela censura do discurso político, mas pela preservação da autenticidade comunicacional e pela expansão das capacidades informacionais necessárias ao exercício autônomo da liberdade política.
Descargas
Citas
Alampay, E. A. (2006). Beyond access to ICTs: Measuring capabilities in the information society. International Journal of Education and Development Using Information and Communication Technology, 2(3), 4–22.
Alencar, M. T., Jerónimo, P., & Torre, L. (2025). Disinformation and local ignorance: A study on information consumption and data verification in Brazilian information deserts. Comunicação & Inovação, 26. https://doi.org/10.13037/ci.vol26.e20259948
Andrade, A. P. (2026). Parâmetros constitucionais para a tomada de decisão em políticas públicas de educação: A Integração Constitucional como critério decisório [Tese de doutorado, Centro Universitário de Brasília]. Manuscrito final.
Antunes Junior, W. F., Borsatto, R. S., & Souza-Esquerdo, V. F. (2021). Why is it so difficult to promote territorial development through public policies? The obstacles faced by a Brazilian experience. World Development Perspectives, 24, 100367. https://doi.org/10.1016/j.wdp.2021.100367
Atlas da Notícia. (2025). Relatório analítico de dados do Atlas 2025 (Versão 7.0). https://atlas.jor.br/v7/relatorio-analitico-atlas-2025/
Brasil. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Presidência da República.
Brasil. Supremo Tribunal Federal. (2010/2018). Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.451/DF. Tribunal Pleno. Medida cautelar concedida em 26 de agosto de 2010 pelo então relator Min. Carlos Ayres Britto; mérito julgado em 21 de junho de 2018, Rel. Min. Alexandre de Moraes.
Brasil. Tribunal Superior Eleitoral. (2019/2026). Resolução nº 23.610, de 18 de dezembro de 2019: Dispõe sobre propaganda eleitoral, utilização e geração do horário gratuito e condutas ilícitas em campanha eleitoral. Texto compilado com alterações das Resoluções nº 23.732/2024 e nº 23.755/2026.
Brasil. Tribunal Superior Eleitoral. (2026, 6 de agosto). Eleições 2026: TSE fecha acordo com ElevenLabs contra deepfakes de voz.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2025). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2024. IBGE.
Łabuz, M., & Nehring, C. (2024). On the way to deep fake democracy? Deep fakes in election campaigns in 2023. European Political Science, 23, 454–473. https://doi.org/10.1057/s41304-024-00482-9
Min, S.-J. (2010). From the digital divide to the democratic divide: Internet skills, political interest, and the second-level digital divide in political internet use. Journal of Information Technology & Politics, 7(1), 22–35. https://doi.org/10.1080/19331680903109402
Santos, M. (1999). O dinheiro e o território. GEOgraphia, 1(1), 7–13. https://doi.org/10.22409/GEOgraphia1999.v1i1.a13360
Scheerder, A., Van Deursen, A., & Van Dijk, J. (2017). Determinants of internet skills, uses and outcomes: A systematic review of the second- and third-level digital divide. Telematics and Informatics, 34(8), 1607–1624. https://doi.org/10.1016/j.tele.2017.07.007
Schneider, S. (2004). A abordagem territorial do desenvolvimento rural e suas articulações externas. Sociologias, (11), 88–125. https://doi.org/10.1590/S1517-45222004000100006
Sen, A. (1999). Development as freedom. Alfred A. Knopf.
Srinivasan, S. (2007). No democracy without justice: Political freedom in Amartya Sen’s capability approach. Journal of Human Development, 8(3), 457–480. https://doi.org/10.1080/14649880701462395
UNESCO. (2023). Guidelines for the governance of digital platforms: Safeguarding freedom of expression and access to information through a multistakeholder approach. UNESCO.
UNESCO & United Nations Development Programme. (2025). Freedom of expression, artificial intelligence and elections. UNESCO/UNDP.
Van Deursen, A. J. A. M., & Helsper, E. J. (2015). The third-level digital divide: Who benefits most from being online? Communication and Information Technologies Annual, 10, 29–52. https://doi.org/10.1108/S2050-206020150000010002
Waldron, J. (2006). The core of the case against judicial review. The Yale Law Journal, 115(6), 1346–1406.
Derechos de autor 2026 Alex Pires Andrade

Esta obra está bajo licencia internacional Creative Commons Reconocimiento 4.0.









.png)
















.png)
1.png)

